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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

FRAGMENTOS DA GUERREIRA



Se tem algo que levei de 2014 foi entrar em contato com  minha própria dor. Parar de jogar tristeza para baixo do tapete e encarar as lágrimas frente a frente.
Não foi um ano mais difícil que outros, foi de qualidade diferente. Desapeguei de coisas antigas e abri espaço para coisas novas.
Descobri que estava mais carente do que supunha e me permiti deparar com uma tristeza profunda, ardendo, assumida, que pertence somente a mim.
Chorei andando na rua, no ônibus, no shopping. Penso que amadureci. Senti muita pena de mim mesma até que ri dessa auto piedade fora de propósito. Sou guerreira, vencedora e mereço ser feliz.
Escrevi estes fragmentos da guerreira que pontuo como metáforas de mim. Muita coragem no enfrentamento de minhas mazelas e especial gratidão pelo lindo gatilho oportunizado para que essas reflexões viessem a tona.
Que todos nós sejamos abençoados, um 2015 de luz e paz.

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A Guerreira trabalha suas dores e entra em contato com suas emoções, vive a autenticidade do sofrimento e se modula feminina e decidida, fecunda na criação do seu auto encontro. Às vezes assusta, pois dualidade é marca, mas ama com profundidade, com verdade e paira no mundo com sua doce armadura feita de esperança.
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A Deusa guerreira busca sofrer com alegria porque tem a consciência milenar que a dor é agente de transformações que a tornam mais poderosa. Que a noite sem dormir possa ser um mergulho profundo e renovador em sua intimidade, nutrindo seu Sagrado Feminino.
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A mulher guerreira sente desejo de recolhimento e silêncio para se harmonizar, para trabalhar suas dores profundas, isto leva tempo. Ela se volta para si para lamber as feridas, para arrumar a armadura com serenidade. Quando muito sofrida, deixa a armadura sólida, dura, impenetrável, porém, quando abre o coração para o outro, começa a forjar uma nova armadura, que ventilada, permite que o outro a toque e penetre nesse universo Sagrado Feminino. Que encontre a parceria amorosa o bastante para tecerem em comunhão uma armadura leve usada em tempos de paz.
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A guerreira quando muito ferida, chagas abertas, espada quebrada, se entrega ao cuidado dos amores, que tratam das suas feridas com óleos perfumados do acolhimento, da gentileza, do desvelo. Ela resiste, mas fecha os olhos e deixa o bálsamo do carinho daqueles que a amam percorrerem seu corpo dolorido e se sente plena. Permitir ser cuidada é um exercício de disponibilidade. Que venham novas oportunidades dessa permissão. Gratidão!
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quinta-feira, 15 de maio de 2014

A FORÇA CONSTRUTORA E DESTRUIDORA DAS PALAVRAS



“As palavras não têm a ver com as sensações. Palavras são pedras duras e as sensações delicadíssimas, fugazes, extremas.”
Este fragmento de Clarice Lispector fez, hoje, um sentido excepcional e tenho sido perturbada nestes últimos tempos por ele. Como sentir na pele a dureza das palavras e aprender a processá-las de forma acolhedora? Sentindo todo sofrimento cabível e realizando um esforço para proceder à compreensão do contexto sem permitir que as sensações “delicadíssimas” e “extremas” te paralisem?
A cada dia nossa dualidade se mostra, e nossa decisão de se construir um ser melhor é colocada em xeque. Mergulhar na dor da dureza das palavras e extrair delas o núcleo sadio, para que as sensações delicadas se tornem mais bem elaboradas, de extremas, se tornem equilibradas é tarefa lamentosa e complexa. Exige de nós recolhimento, reflexão, sofrimento, meditação. Muitas perguntas, muitas indagações...
Vem um lampejo da culpa judaico-cristã, que me persegue, e que o processo terapêutico tem minimizado, encontro aí no núcleo são da minha loucura, a possibilidade da minha fragilidade de comunicação reverberar no ambiente e trazer estas pedras duras e destrutivas, eu criando a possibilidade da destruição com minha inabilidade face ao mundo.
Trago a dor intensa de Clarice para utilizá-la como advogada de minha própria dor e melancolia. “Só os vira-latas me entendem”, quando li, reli e sorri, identificação total. Os vira-latas aceitam o que lhes é ofertado e entendem com a fidelidade dos sentidos que foi dado o possível, o que se podia oferecer. E alegres, abanam o rabo, definitivamente busco ser o vira-latas da Clarice, com meu metafórico rabo do esforço supremo no entendimento, que busco intensamente, sofregamente...
Clarice também me ensina enfaticamente: “calar-se é nascer de novo”, isto eu entendo mais com a razão do que com a ação, tanto que estou aqui na antítese do calar, expressando publicamente minha amargura, me recusando ao “nascer de novo” próprio do silêncio. Busco  o silêncio e a calmaria com lupas de alto nível que encontram barreira na minha miopia de alto grau.
Lanço mão das palavras construtoras de Clarice, para que venham ao meu auxilio e me amparem para extrair o que de bom posso tirar do destrutivo que encontro nas palavras manifestas.
Afundada em meu sofá mais ou menos confortável me vem a inspiração, e mesmo sem inspiração desejo expandir e dizer o que hoje eu sinto. Que bom que “fugazes” aparece nas palavras, e estas sensações irão se dissipar com o vento que tem todo poder de levar para bem longe, deixando apenas as lições no fundo da alma inquieta e sofrida, que se constrói a cada dia com as pedras duras que recolhe no caminho. Tenho fé em meu poder de transmutação, sou camaleoa, mutante e desenfreada.
Para finalizar trago mais uma vez o aporte delicioso dela,  minha musa, a quem chamei todo tempo neste discurso pé de chinelo roto e cansado. “Não se escreve para a literatura, escreve-se para cobrir um vazio, vencer a descontinuidade.” Pronto! Clarice, é isso mesmo! Hoje tagarelo em toques digitados para cobrir o vazio deste momento e para romper a descontinuidade com uma nova descontinuidade e agora calar.

domingo, 28 de julho de 2013

FALANDO E SILENCIANDO


“O artista começa sua obra com o silêncio de uma tela em branco. O compositor usa os espaços silenciosos entre as notas para criar sua música. Da mesma forma, entre os nossos pensamentos, e além deles, existe silêncio. Como um catalizador do poder criativo pessoal, o silêncio é capaz de abrir nosso espaço interior para o insight, a intuição e a inspiração”.
Inicio este bate-papo com uma das inúmeras e pertinentes mensagens da Brahma Kumaris. Minhas reflexões deste período circulam entre meu excesso de palavras. Todos somos estimulados a falar, desde terá idade. Rubens Alves tem um excelente texto no link abaixo, chama-se ESCUTATÓRIA.  http://www.rubemalves.com.br/10mais_03.php
Eu entendi que era para me comunicar com o mundo e desatrelei a falar. O ponto positivo é que isto favoreceu grandemente minha carreira como professora e palestrante. Porém, muitas vezes em situações várias, ganharia muito se calasse mais. Se soltasse o verbo apenas quando efetivamente é necessário. Tenho me trabalhado, agora, no silêncio e como é difícil! Fiz um retiro meditativo em que fiquei 3 dias sem falar. No primeiro dia, senti-me mal, tive enjoo e mal estar, depois fui lidando comigo e descobri um mundo de conversa interior e isto foi um divisor de águas na minha vida. Tornei-me mais introspectiva, bem longe ainda da meta final, porém um passo de cada vez é minha palavra de ordem. Silenciar os barulhos internos e tão difícil quando silenciar a palavra e o barulho externo. Na chapada dos Veadeiros pude experimentar a energia do silêncio no meio de muitas pessoas, eu integrada com a natureza, caminhando...
Foco na meta e força nas decisões. Fecho, por enquanto, com mais um lembrete da BK:
"Silêncio é a semente de todos os poderes. Quando estamos livres de pensamentos negativos e inúteis nossa mente fica em silêncio e entra em contato com as qualidades puras inerentes na alma. No silêncio nos aproximamos de Deus e somos capazes de ouvi-lo. No silêncio ficamos em harmonia conosco, com os outros e com a matéria. O poder do silêncio facilita decisões precisas e nos ajuda a ultrapassar todos os problemas facilmente." www.bkumaris.org.br/