quinta-feira, 9 de julho de 2026

Validade Vencida

Trago hoje reflexões sobre o envelhecer. Semana passada fui ao ortopedista. Lesão no joelho esquerdo. Precisei de sete dias para digerir o ocorrido e poder trazer aqui.

Fui na consulta agendada. Examinada com lupa, cuidado, atenção, cada imagem que eu trouxe foi analisada. E veio a sentença: cirurgia.

Claro que não me agradou. Pensei: uma segunda opinião não faz mal a ninguém. Fui.
Para meu desconforto, esse segundo médico mal folheou o exame que eu levara. Mal ergueu os olhos do papel. Senti uma invisibilidade incômoda, sem rodeios, decretou:
Na sua idade, não se opera mais o joelho. 

Fiquei ali, parada. Incrédula. Como é que alguém diagnostica "validade vencida" sem nem olhar pra pessoa na frente?
Ok. Ok. Tenho 66 anos, nada novinha, mas pratico Yoga e Pilates. Cuido de gatos demandantes. Subo escadas. Carrego sacolas. Faço palestras. Tenho, eu diria, um envelhecimento adequado.

Ele não me viu. Mas eu o vi.
Vi os fios grisalhos despontando nas têmporas. Vi a pressa e o cansaço de quem já decidiu antes de ouvir.
O primeiro impulso foi rosnar. Sério. Mas lembrei dos preceitos do Yoga. Respirei.
E desejei, do fundo do coração, que quando chegar a vez dele, ele encontre um médico melhor do que ele foi comigo hoje.
Porque envelhecer não é data de validade.
É história, é corpo que deseja dançar e andar sem mancar, é joelho que ainda quer fazer trilha e subir montanha entre outras coisas.
Sigamos.