quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Amanhã será um dia bem melhor...



Dias nublados para carioca são sempre estranhos. Adriana Calcanhoto já cantou em verso e prosa nossas manias. Estamos tendo dias nublados mesmo com sol. Pessoas nas ruas, protestos, insatisfações...
Mas existe uma pequena fagulha que se escondia na caixa de Pandora, onde os males da humanidade estavam trancados. Essa fagulha chama-se ESPERANÇA. E nela depositamos nossos mais profundos  investimentos.
Quem perde a esperança perde a parte impulsionadora da vida. Se entrega a tristeza, que atrai mais tristeza, que leva a depressão.
Esperança te impulsiona e alavanca, te sacode e te desperta. Esperança te faz sorrir mesmo em momentos difíceis. Pois ela te informa que vai passar. Que no ir e vir do universo nada fica estático e imutável.
A esperança traz alegria pois se manifesta nos trazendo o futuro. Está sem dinheiro, ela te aponta situações de abundância que virão.
Seu amor está longe,  ela te diz que se valer a pena, seu amor retornará. E se partiu da Terra, ela te aponta o céu. Se perdeu o emprego, ela te garante que outro, até melhor, virá. Se a saúde está frágil, ela te faz focar nos cuidados necessários e você sempre irá melhorar.
Se a política não está nos atendendo como gostaríamos, aprendamos a caminhar, apesar de... em todos os lugares e pessoas tem um germe do bem, que está em suspensão, mas que brotará em breve.
Bons tempos nos aguardam, agora é faxina, e faxina deixa tudo um pouco "bagunçado ". Que possamos não permitir que "bagunçado " fique nosso coração.
A esperança preenche espaços vazios, brilha fosforescente, te mostra que vale a pena viver. Que estar aqui nesta experiência terrena é presente e que um bom papel decorado sempre pode ser encontrado.
Hoje,  minha atenção se volta para a esperança  que me tirou da tristeza de um dia nublado por dentro.
A esperança trouxe o sol sobre as montanhas e esse sol nos abençoou com um lindo dia, dia de esperança, dia de viver. Dia de ser o mais feliz que puder ser.
Chuva de bênçãos de esperança, que todos nós possamos encontrar essa pequena fagulha, retirando da caixa quando Pandora resolver fecha-la,  deixando na poeira cósmica do Universo as dores e sofrimentos de outrora.



sábado, 12 de novembro de 2016

Aprender a confiar no que está acontecendo...

"Aprenda a confiar no que está acontecendo. Se há silêncio, deixa-o aumentar, algo surgirá. Se há tempestade, deixa-a rugir, se acalmará." Lao Tsé
Momentos difíceis exigem de nós clareza e discernimento. Essa excelente reflexão atribuída a Lao Tsé nos faz pensar.
Somos seres muito reativos, defendidos, irritadiços. Isso nos tira da capacidade de deixar fluir e compreender que nem sempre  temos controle.
Sou testemunha viva de que nem sempre a ação ou a pró-atividade são a melhor resposta. Existem momentos em que silenciar, ficar quietinha, observar e deixar que tudo se manifeste como pode ser é a melhor ação. Por vezes a inação é a melhor ação. Parece estranho mas é profundo e intenso. E diga-se que difícil. Grande treino!
Hermógenes na sua sabedoria milenar nos diz: "Entrego, confio,  aceito e agradeco". Lindo de repetir, difícil de realizar.
ENTREGAR é exatamente o que se faz quando já se fez tudo. Deixar que a sabedoria do Universo e o nosso Eu superior atuem, com inteligência e certeza que tudo será exatamente o melhor para nós. Aí saímos da dimensão do entregar e trabalhamos o CONFIAR . Sempre, em qualquer situação, o que acontece é sempre o melhor. Se forem flores e sucessos, comemoramos. Se forem  espinhos e insucessos, aprendemos. Se os espinhos estiverem fartos, observemos qual a lição. Sempre tem algo a aprender em tempos difíceis.
ACEITAR é estar aberto para abrir mão do controle, para mim, um grande desafio. Treino todo dia e nem sempre consigo auto aprovação. Mas como ando me aprovando incondicionalmente, compreendendo minha construção pessoal e sigo em frente, afinal posso começar tudo de novo, amanhã. "Aprenda a confiar no que está acontecendo" diz Lao Tsė, faço eco nestas palavras. Falo repetidamente como um mantra...
A última dimensão da fala do querido sábio Hermógenes é AGRADECER,  nesse quesito tenho me "dado muito bem". Agradeço muitas vezes durante o dia, pelo bom e por aquilo que não estou entendendo, as vezes sou lenta... Recebi um telefonema de pacificação recentemente que me deixou muito feliz,  não consegui demonstrar minha gratidão para o outro. Pois lidar com o outro é exercício diário. Mas agradeci muito ao Universo e com certeza minha gratidão reverberou alcançando quem telefonou se esforçando,oferecendo seu melhor. Gratidão!
Sou sempre muito grata. Essa lição tenho aprendido bem. Gratidão é uma palavra constante em minha fala e escrita.
Então,  para reforçar: 
Entrego, confio, aceito e agradeço!!!!
Volto em Lao Tsė:
"Aprenda a confiar no que está acontecendo." Ok ok !!!!!!
"Se há silêncio, deixa-o aumentar, algo surgirá." Deixemos que o tempo traga as palavras certas. Elas virão!
"Se há tempestade, deixa-a rugir, se acalmará." Evite tentar fazer a tempestade passar, deixe que venha e se proteja com um grande quarda-chuva tecido com as teias do TEMPO, grande professor.
Outra grande professora é a NATUREZA que se exibe majestosa sempre ao sabor do que vem, como vem.
Gratidão a esses grandes mestres!
Estamos em momentos planetários difíceis e irmãos como os aqui citados nos oferecem material precioso para repensar nossas práticas. Tudo sempre está certo na dinâmica possível da existência...
Chuva de bênçãos de entrega, aceitação, confiança, silêncio, bonança e  muita  gratidão,  é claro, sempre...

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

QUEIJOS VEGETAIS, SIM SENHOR...

Uma fabulosa ideia para quem deseja, como eu, diminuir ou zerar a ingestão de lactose são as opções de queijos vegetais. Na verdade, a palavra queijo não é exatamente a melhor descrição, mas na ausência de outro termo mais adequado, usaremos esse, pois tem uma questão afetiva envolvida nisso.
Pão com queijo me traz questões amorosas maternais. A imagem da minha mãe trazendo pão com manteiga e queijo e uma caneca de café com leite me dá uma saudade que dói. Mas é uma dor boa, de ter tido esse privilégio, sou grata!
Com essas boas lembranças e uma nova consciência alimentar, os afetos são redirecionados e redesenhados para novas receitas, estas serão passadas de mães para filhas e filhos comilões.
O preparo básico é o mesmo para a maioria dos "queijos". Vamos lá entender o processo quando envolve fermentação:
Passo 1. Escolher a combinação básica. Decidir quais sementes ou oleaginosas que vai usar. 150 gramas dá um bom queijo. Esta semana fiz de amêndoas e sementes de girassol sem casca, metade de cada. Castanha de caju faço sozinha que é uma das minhas preferidas. Uso também um mix de sementes: Avelã, Nozes, Castanha do Pará, Quinoa com nozes, tudo de bom. Vejam que existem uma boa variedade para ser explorada.  As sementes ou oleaginosas devem ficar de molho. As mais duras por mais tempo, as mais delicadas e tenras por menos tempo, varia de 6 a 12 horas de demolho. Germinar é uma linda experiência. Explore! Sempre lavar bem antes e desprezar a água que ficou de molho.
Passo 2. Escolher a combinação que deseja para a base, não é obrigatório, pode usar só a semente, mas vale a pena usar um parceiro para essa poção mágica. Inhame cru sempre dá uma textura interessante. Experimente!  Cenoura crua agrega um bom valor nutricional e dá uma coloração interessante. Uso normalmente os dois.  Mas quando quero um "queijinho" mais branco só uso inhame cru, descascado, é claro. 
Passo 3. Escolher o que vai ser usado para fermentação. Quem faz uso de Rejuvelac é a opção top, mas o poderoso limãozinho, amigo de várias horas auxilia bem. Gosto muito do galego, mas qualquer outro pode ser usado. Uso 1 limão pequeno ou metade se for um limão grande. Quem se interessa pelo poder de saúde dos fermentados, vale conhecer o Rejuvelac. No site do Terrapia/FIOCRUZ e Biochip/PUC poderão conhecer essa maravilha.
Passo 4. Decidir se quer deixar neutro ou salgar, nunca uso sal, uso, quando quero, uma colherada de missô que dá o sal necessário e complementa com valor nutricional. Se desejar retocar o sal faça quando for usar.
Passo 6. Usar ou não o levedo de cerveja. O levedo de cerveja dá um toque interessante ao nosso queijo vegetal. Ele é rico em proteínas, vitaminas, minerais e fibras, o levedo de cerveja é um excelente repositor de nutrientes. E vai além, o levedo de cerveja é um grande aliado do sistema imunológico e vai promover resistência e desintoxicação. Deixa a pele mais saudável, ajuda na regulação do intestino, além de manter a integridade do sistema nervoso, atuando no estresse, falta de concentração, cansaço físico e mental. Também é recomendado para diabéticos, por reduzir os níveis de glicose no sangue. A versão em pó pode ser misturada às saladas, vegetais, sopas e também colocada em azeites e molhos. Dica importante: para manter a integridade nutricional não cozinhe o levedo de cerveja. Uso desde criança, um toque familiar.
Passo 6. Bater tudo no liquidificador com um copo d'água e colocar no coador de voal para dessorar. Colocar algo embaixo do coador para recolher o líquido que vai sair. 
Passo 7. Aguardar no mínimo 24 horas para recolher, dois dias no calor e três no frio garantem um queijo com textura firme.
Passo 8. Se estiver mole use como "requeijão" e se ficar mais firme pode fazer o formato que desejar e usar gergelim ou outra dessas maravilhas por cima, alecrim fica ótimo.
Vou oferecer aqui algumas receitas e alguns links que podem ser úteis nessa aventura. O blog da Aline Chaves é o "Panelas de Capim", gosto muito, despojado, experimental, uma lindeza. O blog "Brotando em casa " da Cynthia Brant já é mais arrojado e de alta gastronomia, também gosto muito. Visitem os dois e aproveitem! Outros dois sites, já indiquei acima, das veteranas irmãs Ana Branco e Maria Luiza Branco respectivamente, Biochip/PUC e Terrapia/Fiocruz, são referência. Vale conhecer!
O queijinho que ilustra este post fiz em Alto Paraiso com os queridos amigos da “Pousada Beija-Flor”, decorei com brotos de alfafa e de girassol com tomatinhos, fiz uma bola e coloquei gergelim preto para ficar diferente. Todos aprovaram a receita.
Chuva de bênçãos para todos os companheiros de jornada que desejam incluir novidades em suas vidas. Estamos todos buscando o melhor para nós. Gratidão!

ALGUMAS RECEITAS INTERESSANTES

1.   QUEIJO DE AMÊNDOAS COM INHAME E PIMENTÃO COLORIDO
Ingredientes: 
1 xícara  de amêndoas descascadas e demolhadas
2 inhames médios
½ pimentão vermelho ou amarelo 
cebola ou alho ou ambos 
salsa, coentro, nirá ou outro verde que desejar
limão, azeite extra virgem  sal verde a gosto.
Como fazer 
Processe no liquidificador o inhame, as amêndoas, o caldo do limão, cebola e/ou alho (opcional) e pimentão vermelho. Decore c/ salsa ou coentro picado.

2.    QUEIJO MIX DE SEMENTES
Ingredientes:
1/2 xícara de Amêndoas 
1/2 xícara de castanha do Pará 
1/2 xícara de nozes 
Sal verde, limão
Coentro picadinho, ou salsinha, cebolinha, nirá ou o verde que desejar
Cominho, orégano, alecrim ou a especiaria que desejar
Sal verde 
Como fazer: 
No processador triture as sementes até formar um creme homogêneo.
Finalize juntando o sal, os temperos e as especiarias e modele no formato de um queijo.

3.   REQUEIJÃO TEMPERADO
Ingredientes 
1 xícara de amêndoas 
1 dente de alho, cebola, nirá, alho-poró, pode usar todos os que desejar ou usar a imaginação
1 colher de chá de levedura de cerveja
1 colher de sopa de azeite extra virgem 
sal verde e temperos a gosto, por exemplo orégano, tomilho ou o que desejar secos ou fresco.
Como fazer
Colocar as amêndoas de molho bem lavadas entre 8 a 12 horas. Lavar e escorrer deixando absorver ar.
Junte o alho, a levedura e o azeite, bater no processador ou liquidificador. Triture bem até obter uma massa homogênea.
O sal, os temperos e o azeite coloque por último.

4.   QUEIJO DE SOJA GERMINADA
Ingredientes
1 xícara de sementes de Soja
Alho, cebola, cebolinha, pimenta, manjericão, azeite extra virgem, sal verde
Como fazer: 
Germine a soja com 8 a 12 horas de molho na água e 8 a 12 horas no ar. 
Bata no liquidificador com um copo d'água, triture bem.
Coloque no coador de voal para dessorar e fermentar mantendo em lugar protegido do frio de 6 a 8 horas. 
Tempere com os demais ingredientes  e deguste.

LINKS SUGERIDOS
1. O link da Cynthia Brant:
http://brotandoemcasa.blogspot.com.br/?m=1

2. Os queijinhos da Aline chaves



domingo, 30 de outubro de 2016

PROSPERIDADE MATERIAL TAMBÉM É UMA BENÇÃO

Historicamente tem se alardeado o valor da pobreza como fator de transcendência espiritual. A pobreza parecia chave para o céu.  E isto nos levou a péssimos sentimentos. Situação de escassez ou culpa por ter abundância.
Até o tão falado e distorcido texto bíblico em  Mateus 19:24: “É mais fácil o camelo entrar pelo buraco da agulha do que o rico entrar no Reino de Deus” leva a essas falsas definições. Jesus se valia de muitas figuras alegóricas e as traduções também não ajudam muito, afinal a Bíblia  passou por traduções várias,  não é um um texto único e linear, além de ter sofrido influências do hebraico, aramaico e grego arcaico.
Enfim, em outro momento podemos esmiuçar esse versículo que tem um contexto e uma razão de ser. Mas o que nos interessa agora é trazer para nós a abundância divina de que todos somos merecedores.
Somos seres abundantes, de tal forma que podemos usufruir de abundância em todos os níveis, material em suas múltiplas dimensões, intelectual em suas inúmeras formas e é claro a abundância espiritual que legitimará as anteriores.
Se conectar com o bem e ter prosperidade é máxima a ser atingida. Claro que existe a prosperidade desonesta e vemos isto todos os dias, é só assistir a TV, porém, essa forma de trazer abundância também traz medo de perder e angústia, fazendo com que tudo seja frágil e efêmero. Mas... cada um como pode ser... e julgar é escassez.
Um dia, no noticiário, uma situação me chamou a atenção, num incêndio uma mulher foi entrevistada, o repórter, atrás de histórias sinistras e apelativas, perguntava se ela estava revoltada com a situação, ela abre um sorriso onde se vê os poucos dentes maltratados e responde: - perdi tudo, casa e coisas, mas meus bacuris estão aqui, diz apontando quatro crianças que catavam objetos nos escombros. Esse desapego pelas "coisas" trás prosperidade,  pois um ou vários  filantropos auxiliaram de tal forma que o saldo final foi que essa família acabou em melhor situação do que antes da tragédia.
Pietro Ubaldi traz um interessante posicionamento em seu livro "A Lei de Deus ": (...) Tudo podemos obter, e de graça, mas só quando não o desejarmos mais com cobiça, porque só neste caso possuir não representará mais um perigo para nós. Se o
escopo de tudo é evoluir, é lógico que seja tirado de nós tudo o que constitui a
base de um apego excessivo, que não nos deixaria prosseguir em nossa obra
mais importante: o progresso no caminho da evolução. Em outras palavras, o
que impede que tudo chegue da infinita abundância existente em todas as
coisas, é a nossa incapacidade de saber fazer bom uso delas, esquecidos da
verdadeira razão pela qual as possuímos. As vezes faltam ao homem muitas
coisas, pelo fato de não ter ainda aprendido a empregá-las sensatamente. Após
atingir as necessárias qualidades de inteligência, bondade e desapego,
imprescindíveis a boa direção de tudo, não há mais motivo que justifique a
privação."
Fiquei lendo e relendo esse capítulo de número 7 com o título "MUDANÇA DE PLANOS". Sugiro essa leitura, rica e provocativa.
Lembro agora uma  música antiga, diz algo que no fundo, representa essa ideia:  "Sonho lindo que se foi. Esperança que esqueci. Foi por medo de perder que eu perdi.Tanto eu tinha pra dizer.Tanta coisa eu calei. Foi por medo de sofrer que eu sofri..."
Essa nossa fragilidade em administrar nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos, faz com que tudo aconteça exatamente o contrário do que desejariamos que fosse.
Pietro Ubaldi ainda neste capítulo fantástico discorre:
"Se não quisermos cair como presa da ilusão, é preciso compreender que o
verdadeiro fruto do nosso trabalho não está na obra realizada, mas na lição
aprendida, na qualidade adquirida, no progresso atingido. (..). O que permanece não é a obra realizada, mas é o conhecimento adquirido da sua técnica construtiva, com a
qual se podem construir outras obras semelhantes em número infinito,
abandonando-se as anteriores, que valem só como experiência. Este é o
verdadeiro significado de todos os trabalhos e de todas as obras humanas. A
Lei não cuida da conservação do fruto material, porque é o fruto espiritual que
tem valor, e este fica gravado na alma de quem realizou o trabalho."
Isso é lindo e profundo. O que aprendemos com os eventos é  infinitamente superior ao evento em si, seja de que natureza for.
O sofrimento pelos insucessos fica distante quando aproveitamos o que de experiência resultou desse "insucesso". Tudo no final é prosperidade e abundância.
Conectar na faixa da abundância não é cobiça, viver na faixa da abundância não é apego.
Focar na abundância é simplesmente deixar fluir e aprender a administrar essa abundância com alegria e gratidão.
Se algo não ficou, não é seu. Se algo se perdeu é para ir. Se algo não aconteceu estava certo assim... Tudo muito simples, porém, por vezes difícil de entender.
Muitas relações terminam pelo medo de perder, muitas perdas materiais são vistas pela usura e cobiça.
Escassez atrai escassez da mesma forma que abundância atrai abundância. A abundância é sempre divina.
Que nosso coração esteja aberto para toda a abundância de que somos merecedores, e aceitem que é grande nosso merecimento, estamos aqui procurando fazer sempre o nosso melhor, conectados com o Bem.
Chuva de bênçãos para a humanidade inteira, irmãos na jornada da prosperidade e abundância. É  só abrir os braços que vem.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

SOBRE RELIGIOSIDADE E ESPIRITUALIDADE




Momentos difíceis como o que estamos vivendo tendem a nos aproximar mais da fé ou até da falta dela.

Muito se tem falado sobre fé. Isto independe de religião. Existem pessoas que dizem ter fé no Criador, porém se mostram sem fé em si mesmas. Sempre vendo o pior em cada situação. É claro que se a questão é ter fé, firmeza e confiança deveriam ser condições de existência e trânsito no mundo. A visão pessimista vem acompanhado muitas pessoas por tempo demais e fazendo com que mantras tóxicos sejam entoados esquecendo que negatividade atrai negatividade.

Quem tem fé confia! Confia? Ou fé virou artigo de algumas lojas de variedades, tem ali, é barato, mas a qualidade... essa deixa a desejar... Aí vem a questão da religiosidade e espiritualidade que me causam confusão. Falo o que entendo.

Religião é um corpo doutrinário seguindo princípios, crenças e teorias, tendo como base textos considerados sagrados ou estritamente confiáveis, divinos ou transcendentes. No sentido estrito vem do latim que significaria reverência e se compreendeu ao longo do tempo como religação, "religare".

Já religiosidade seria a prática efetiva desses preceitos. Pratica a religiosidade quem se coaduna com a religião e a torna artigo de prática e fé.

Espiritualidade já vem de outra base, não se circunscreve a corpos doutrinários. Embora nas religiões a espiritualidade seja indicada e até desejada.

A grande escola de meditação Brahma Kumaris nos dá uma bela noção quando diz, trazendo exemplo do cotidiano:

"A espiritualidade é como um modo de vida. Pegue algo pequeno como acordar as crianças. Deveria ser duro tirá-las da cama? Ou eu posso fazer isso de uma maneira diferente? Isso é espiritualidade. Não é nada separado de viver. Simplesmente consiste em fazer tudo o que eu estou fazendo hoje, mas cuidando de como eu sou por dentro ao fazê-lo. Fique feliz, seja fácil, seja contente e então faça tudo."http://www.brahmakumaris.org/brazil

A espiritualidade é mais nobre, pensando assim, pois transcende credos, é abertura para bondade e ética genuína. Não se professa essa ou aquela doutrina, mas se vê um todo maior, não se é bom por medo ou culpa, se é bom porque é próprio do humano e todos merecem ser tratados de forma amorosa e respeitosa.

A religião pode ser desculpa para atos desumanos como temos visto ao longo do tempo. Um dia uma senhora me diz que não sou filha de Deus, sou criatura de Deus. Querendo me convencer de que só dentro da igreja encontro salvação. Nem discuti pois quem precisa de salvação externa não se responsabiliza por seus próprios atos. Eu preciso me salvar de mim mesma, dos meus deslizes e mazelas. Jesus não me salvou, pelo meu entendimento, ele me deu exemplos de vida espiritual.

Sou religiosa,  nasci assim,  penso eu. Lembro de mim pequena rezando com minha mãe que era uma carola católica. Mas a ideia que eu tinha de Deus era imprecisa e assustadora. Ele castigava! Era um avô zangado que era acionado quando eu "mandava mal", o que era frequente, afirmo sem a menor culpa.

Era espevitada, como se dizia! Tagarela e voluntariosa. Diz uma amiga, por maldade pura, que não mudei muito. Mas eu já fui pior, devo dizer em minha defesa.

Perguntava tudo, Padre Antônio e Padre Jairo tiveram trabalho comigo. Com o tempo mudei de religião, conheci um Deus mais legal. E aderi a um pensamento um tanto incômodo: Deus não castiga ninguém, cada um organiza seus próprios castigos. Era tão lógico que fez com que eu me aproximasse mais Dele, entendi a porção divina em mim e o poder do livre arbítrio.
Continuo em uma religião, mas esta não me limita, ampliei a compreensão de espiritualidade até a não religião, tudo bem não ter religião nenhuma, penso eu.  A religião pode excluir, mas a espiritualidade não exclui nunca. Vivo minha religião com profunda noção de espiritualidade. A religião não me torna melhor, penso que me impede de ser pior. Simples assim.

A moral é da dimensão da religião, a ética mais se encaixa na visão da espiritualidade.
Que essa espiritualidade se expanda e alcance os mais recônditos locais da nossa mente e que possamos ver que é possível para nós. Que a Espiritualidade se manifeste em nossa prática cotidiana, estimulando o humano em nós sem queixumes, vitimismos, arrogâncias ou preconceitos. Que o respeito a natureza reverbere em nós para além das palavras, pois também somos natureza e isso está explicito na noção de Espiritualidade que considera o Todo Universal.


Chuva de bênçãos a todos e todas com ou sem religião. Deus em sua plenitude é Pai de todos, afinal.

sábado, 8 de outubro de 2016

SOBRE ABSOLUTO E RELATIVO

"Aprendamos a sair desses círculos austeros e a dar livre expansão ao pensamento. Cada sistema contém uma parte de verdade; nenhum contém a realidade inteira." 
Diz León Denis no seu tão lido livro "O problema do ser, do destino e da dor". Ele nos traz essa reflexão inquietante. Li no face e mexeu comigo. Sempre escrevo sobre o que "me catuca".
O momento do relativismo aí está, mas os velhos paradigmas ainda insistem em montar guarda. Cada um de nós elege um aparato filosófico para alicerçar e justificar suas verdades. E na defesa dessas verdades muito se pode magoar e ofender. Já fui muito defensora das minhas verdades.
Hoje, reflexiono e afirmo que não detenho o monopólio da verdade, ninguém detém. Esse monopólio é da alçada de esferas muito, muito altas... Do único absoluto! Todo o mais é relativo.
Mesmo as minhas práticas mais queridas são fruto do MEU  entendimento e compreensão de mundo. Não quero estar mais certa, quero viver na paz do meu Eu.
Devo desculpas a todos que me pegaram em maus momentos onde eu pensava que estava mais certa que os outros. Ser professora durante tanto tempo facilitou essa escorregada. Preciso me justificar de alguma forma, compreendam.
Suco de maçã com grama de trigo é muito bom, mas aceito se preferir pizza. Podemos sentar na mesma mesa, cada um no seu relativo paladar. E vamos combinar sorrisos gentis e compreensivos, sem críticas ou disputas pelo melhor prato ou copo. Cada um sendo quem é. Simples assim. Estou no exercício..
 Gosto de ser ouvida e tem em mim um "que" exibicionista que nem sempre favoreceu meus relacionamentos ao longo da vida. Minha mãe sentiu bem isso na pele e quem eu namorei também. Desculpas a todos. Exercito minha humildade frágil e desengonçada. Muito exercício para fazer, que beleza que conto com o TEMPO...
Hoje repenso não as práticas mas a defesa destas. Se as práticas são vividas é porque se acredita que são o melhor jeito de viver a vida.  Entendi a duras penas que todos tem um ponto de vista adequado às suas reais possibilidades. Nem mais certo nem mais errado, adequado às SUAS necessidades e visões de mundo.
Jesus tinha um jeito bem acolhedor com essas diferenças e é dele que quero extrair esse exemplo. Falava para quem queria ouvir e compreendia quando não estavam prontos para a audição. Era generoso e entregava o protagonismo a cada um dizendo "Tua fé te curou". Sem críticas, só entendimento. Fazia a parte Dele e nem esperava elogios, só fazia... E era lindo fazendo... sou fã! 
Longe estou da qualidade perceptiva desse nosso irmão mais velho, sábio e amoroso. Mas estou no caminho, seguindo, vagarosamente, dentro das minhas reais possibilidades, esses passos de sandálias empoeiradas pelo tempo.
Nestes momentos que estamos vivendo é prioridade rever os conceitos para que possamos lidar com as diversidades que hoje estão mais explícitas na rua,  na TV, nas conversas aqui e ali. Se não ficarmos atentos iremos dar vazão a falas preconceituosas e desarrazoadas.
Cada um sabe o trilho e a trilha que quer utilizar, as verdades devem sair da esfera do certo e errado e seguir o curso do respeito mútuo, condição essencial para viver em sociedade.
Que todas as manifestações do viver sejam percebidas como parte do processo evolutivo de cada um,  atirar pedras nos telhados alheios traz o esquecimento de que nossos telhados também são de vidro e podem servir de pontaria para um outro irmão desavisado.
Chuva de bênçãos para a possibilidade do relativo que abre espaço para amorosidade e acolhimento que moram dentro do coração de cada um de nós.



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

SOBRE REJEIÇÃO E MEDO

Hoje minha conversa é sobre essas duas figuras que tendemos a tornar muito grandes, assustadoras. A rejeição traz medo que acaba criando mais rejeição e consequentemente mais medo, num ciclo quase infinito de dissabores.
Como praticamente todos nós, de uma forma ou de outra, vivenciamos algum tipo de rejeição , esse assunto sempre vem a baila.
Alguns sofreram essa rejeição em bem tenra idade, alguns sofrem no trabalho, na vida amorosa, na sociedade quando fogem um pouco, ou muito, aos ditames sociais.
A rejeição é a não aceitação de algo que não conseguimos lidar. Não conseguimos lidar com muita coisa.
Se perceba, se olhe e veja se em você também não aparece de uma forma ou de outra. Até em coisas simples.  Vou dar um exemplo meu. Tornar-me vegetariana, algo que só a mim atinge, criou uma rejeição de algumas pessoas, isso tem me ajudado a trabalhar a paciência e a maturidade para não entender como pessoal, é só limitação de quem não sabe lidar com a diversidade. Você pode comer o que quiser e eu também. Simples assim.
Quando rejeitamos nem sempre percebemos nitidamente, mas quando somos rejeitados isso grita dentro de nós e nos maltrata.
A tomada de consciência desses companheiros que moram dentro de nós, REJEIÇÃO E MEDO, vai nos favorecer os processos de lidar com eles.
É importante encara-los, olhar em seus olhos arregalados tentando nos assustar. Se preciso for, use um espelho como o herói con a medusa, ou olhe de soslaio para que não te capture ou te transforme em estátua de sal, bela metáfora da medusa,  pois ficamos mesmo paralisados de medo e alguns por tempo demais.
Entender os processos que nos paralisam ou nos fazem agir de forma controversa ou defensiva, vai nos ajudar a ter relacionamentos mais promissores, sejam pessoais, profissionais ou de que natureza for.
Encontrar a aceitação real e a coragem que habitam dentro de nós não vai fazer com que afugentemos, de uma vez, esses companheiros que trazemos dentro de nós através dos tempos. A rejeição e o medo ali estão.
Compreender que eles existem e que não são tolas criações, claro que não nos faltaram motivos para esses sofrimentos terem formado raízes profundas.
Mas vamos ficar atentos, entendendo quando eles aparecem e cada vez mais tornando-os menores menos assustadores.
Lidar com nossas fragilidades potencializa nossas forças.
Hoje estou assim, reflexiva e trabalhando meus medos e refeições. Fazendo o primeiro passo: assumindo que existem, aí entrando no passo seguinte, trabalhando o perdão e principalmente o auto perdão. Parafraseando Louise Hay digo que me perdoo e me aceito assim, pequenina, mas com muito poder para ser grande.
Chuva de bênçãos para todos que, assim como eu, estão na vida olhando profundamente para si, buscando o poder de serem melhores a

cada dia. Chuva de bênçãos para a humanidade inteira!